terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O que aprendi com os meus Avós

É inquestionável o papel e os benefícios que os Avós trazem à vida dos netos e à formação da sua personalidade. E são tantas as coisas que eles nos ensinam...
Aprendi muito com os meus avós e tenho excelentes memórias dos tempos idos que partilhei com eles, tenho saudade e recordo hoje e sempre com muito amor o que aprendi com eles.

Os afectos, a importância de abraçar, de uma festinha de uma mão pesada e calejada no rosto, de afagar os cabelos, de um beijo terno na testa ou repenicado na bochecha, de um olhar cheio de doçura de quem compreende tudo e nos lê a alma e o estado de espírito só com os olhos.

As tradições, os Santos Populares, as fogueiras de queimar a alcachofra. As Vindimas, pisar as uvas e dos convívios dessa altura do ano. O Dia de Todos os Santos, a ida ao Pão por Deus, o almoço com a família e da partilha do pão por Deus. No Dia de S. Martinho se provar o vinho. Os bailes e bailaricos de Carnaval e assistir às cegadas que chegavam. As festas e romarias de Verão pelas aldeias vizinhas. A ida à quermesse ou à pamplona. Os jogos tradicionais, a cabra cega, o lencinho, o jogo da malha, os carrinhos de rolamentos. Os convívios entre família e amigos nas matanças do porco, fazer enchidos caseiros, das mulheres a cozinhar sem parar iguarias. Amassar o pão, as filhoses, as broas e cozê-las no forno a lenha. Apanhar amoras e fazer licores e compota. Colocar alfazema seca nas gavetas da roupa. Apanhar caracóis de manhã bem cedo. Comprar mercearias a granel. A apanha da batata, a apanha da azeitona, ir ao lagar entregá-las e mais tarde ir buscar o nosso azeite. A horta, as árvores de fruto, ir ao quintal buscar uma alface ou um tomate para a salada. 

A beleza e pureza das coisas simples, das flores que enchiam quintas e casas. Do perfume das ervas aromáticas, da segurelha na sopa de feijão verde, do hortelã na canja, da salsa e coentros que vão bem com quase tudo. Os chás que se faziam com as ervas do quintal, o chá de lúcia-lima da Avó Maria bem docinho, como ela gostava. Do pão barrado com manteiga e polvilhado com açúcar. 

As coisas do antigamente, que tanto gostava de ouvir. Os ditados, anedotas, provérbios e adivinhas. As cantigas, as cantilenas, o fado, o hino nacional. As histórias improváveis dos nossos antepassados, vizinhos, amigos e conhecidos. De ouvir falar da 2ª Guerra Mundial. As privações, os esforços, de não se ter automóvel, nem telefone, nem TV. De dividir uma sardinha por dois, de só se calçar sapatos aos domingos, de ir ao palheiro mungir a vaca e fazer sopas de leite com as sobras de pão duro.

As comidas da avó, as costeletas de borrego panadas para levar para a praia, a caldeirada de bacalhau, o cabrito assado, a dobrada, a sopa de feijão maduro, o cozido à portuguesa. Os chás, as compotas, os pudins, os bolos, as broas, as filhoses, o pão com torresmos.

A magia da casa da avó, onde quase tudo é permitido, como ver a telenovela às escondidas da mãe, onde cabe sempre mais um, até na cama dos avós, onde há sempre comida e guloseimas, onde os sorrisos, as risadas, o carinho, os abraços e os beijinhos nunca faltam. 

As viagens pelo nosso Portugal, na furgoneta do avô pelo Norte, pelo Sul, pelas estradas nacionais que as auto-estradas não eram para passear. As idas à praia, os piqueniques, as músicas do Teixeirinha, do Roberto Carlos, do Carlos do Carmo, da Cidália Moreira, do Rodrigo ou o relato de futebol ao fim-de-semana a animar a canalha. Às vezes também se cantava à desgarrada e nós mesmo sem percebermos metade riamos a bom rir.

As artes e ofícios dos avós, a mercearia e a taberna dos avós paternos, tantas conversas ouvi, tanto aprendi com os mais velhos, tanto açúcar amarelo comi directamente do silo às escondidas. A calçada portuguesa feita pelas mãos do Avô A que com orgulho calcorreávamos pelas ruas de Lisboa e não só. As costuras da avó M, roupas para as bonecas, para os netos, as almofadas e colchas em patchwork, os sacos de pano para guardar tudo. O barulho da máquina de costura a pedal Singer, os dedais e dos carrinhos de linhas.

Para os meus filhos desejo que os avós os amem, os mimem, os ensinem e que lhes deixem recordações tão especiais e únicas, como as que os meus avós me deixaram a mim! 
Beijinhos 


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