domingo, 22 de outubro de 2017

Voltar ao Princípio

Vivi e cresci desde sempre numa Aldeia onde se tem a chave na porta, onde o padeiro deixa o pão pendurado ao portão, onde toda a gente se conhece e sabe da vida de toda a gente.

Com todas as coisas boas e menos boas que tem viver numa aldeia, fui lá que cresci, no entanto foi também o que me sufocou e enquanto não saí de lá não descansei. Todo o meu percurso de vida, quer académico, profissional ou pessoal foi no sentido de sair, de apanhar ar, de respirar sem barreiras. Um sentimento de não pertença que não consigo explicar.
Passaram quase 20 anos e ao longo dos anos voltei lá com regularidade, para matar saudades de casa e dos meus, e ao longo dos anos deixei de fugir, comecei a consegui respirar e acima de tudo deixei de me importar.
Passaram quase 20 anos e agora volto lá com vontade, volto lá para respirar, para ganhar ar, para me acalmar e o que antes me sufocava e tirava do sério, o silêncio, a paz, o som dos passarinhos, dos grilos, as coisas da terra, o viver simples e sem pressas, o não se passar nada, o não ter nada para fazer, o tempo que teima em passar, estar em contacto com a natureza, com as gentes genuínas é o que mais falta me faz! 
Cansei-me de tanta azáfama, de tanto correr e nem se sabe bem para onde, cansei-me de tanta artificialidade nas coisas, nas pessoas, na vida... 

Por vezes é preciso sair, caminhar noutros terreno, viver outras experiências, noutras dimensões para vermos o óbvio e podermos voltar ao princípio, como um ciclo de vida que se conclui, dando espaço a um outro que se iniciará de forma mais consciente, tolerante e real.

* Foto daqui

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